25 de agosto de 2026
Após vários meses difíceis, o recuperou um impulso significativo. O Wells Fargo Investment Institute acredita que o metal precioso tem suporte estrutural, apesar das elevadas taxas reais de juros. Os estrategistas esperam mais potencial de alta a partir dos níveis atuais até o fim de 2026 e projetam uma faixa-alvo de US$ 4.900 a US$ 5.100 por onça troy. Para 2027, o banco estima um alvo de US$ 5.400 a US$ 5.600.
Forte demanda da Ásia e entradas em ETFs dão suporte
No curto prazo, o ouro se beneficia das esperanças de distensão geopolítica no Oriente Médio e da redução das expectativas de novas altas de juros nos EUA. Isso já levou, no início de agosto, ao maior ganho semanal (mais de 7%) desde janeiro. Além disso, as saídas de ETFs de ouro se estabilizaram e começam a voltar ao terreno positivo.
Desde a primavera, o preço do ouro vinha sofrendo com a alta dos rendimentos reais (ajustados pela inflação) dos EUA, que tornam investimentos sem pagamento de juros, como o ouro, relativamente menos atraentes. Ainda assim, o mercado mostrou enorme resiliência, o que, segundo o Wells Fargo, é impulsionado por vários fatores fortes:
- Forte demanda da Ásia: embora o preço spot global tenha recuado em alguns momentos no primeiro semestre do ano, o desempenho durante o horário de negociação asiático subiu 13%.
- Compras de bancos centrais: por preocupação com riscos de mercado e incertezas geopolíticas, os bancos centrais voltaram a reforçar de forma expressiva suas reservas de ouro no segundo trimestre.
- Diversificação de portfólio: diante da inflação persistente, investidores internacionais continuam buscando ativos de refúgio.
Riscos de recuos no curto prazo, mas ciclo macro intacto
Sameer Samana, chefe de Estratégia de Ações Globais e Ativos Reais do Wells Fargo, vê a correção recente principalmente como uma reavaliação saudável da relação risco-retorno. Os investidores devem se concentrar mais no perfil de longo prazo do mercado de ouro. Como o mercado já precificou novas altas de juros pelo , muitos riscos já foram incorporados.
Ainda assim, os estrategistas recomendam cautela no curto prazo: um fundo definitivo não necessariamente já foi alcançado. Há o risco de um recuo para até US$ 3.500, antes que níveis de resistência técnica na faixa de US$ 4.500 a US$ 4.900 aguardem na subida.
No entanto, segundo os analistas, o ciclo macroeconômico de longo prazo favorece claramente o metal precioso. Se taxas de juros e preços do petróleo mais altos sufocarem a economia, bancos centrais e formuladores de política fiscal acabariam tendo de responder novamente com cortes de juros e programas de estímulo econômico — um ambiente ideal para o ouro. Historicamente, o metal precioso costuma se mostrar significativamente mais resiliente do que ações ou títulos durante recessões e períodos de política monetária restritiva. Para o Wells Fargo, portanto, o ouro continua sendo um componente indispensável para proteção contra estresse de mercado em fases críticas.
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