04/08/2026
A análise do Deutsche Bank sugere que o recuo recente do ouro pode já ter se esgotado, com o banco apontando um piso próximo a US$ 3.900/onça, em vez da retração mais profunda que alguns modelos técnicos implicam. Essa leitura, combinada com uma estimativa de valor justo ainda confortavelmente acima do preço à vista, indica um risco de queda limitado no curto prazo e reforça a postura otimista do banco até o final do ano. Operadores que analisam a nota provavelmente se concentrarão na diferença entre o valor justo implícito no modelo e a previsão oficial do banco, o que sugere espaço para o ouro seguir subindo gradualmente mesmo após sua alta histórica. O relatório também destaca um risco de avaliação de longo prazo, com razões ajustadas de preços relativos que implicam um nível de equilíbrio muito mais baixo, próximo de US$ 2.600/onça, uma divergência que pode ressurgir no debate do mercado se o rali atual perder impulso.
O Deutsche Bank argumenta que a correção do ouro provavelmente encontrou um fundo próximo a US$ 3.900/onça e reafirma sua previsão de US$ 4.600/onça para o final do ano.
Resumo:
- O Deutsche Bank identifica o atual rali do ouro, iniciado em agosto de 2024, como um dos únicos cinco episódios "explosivos" de preços em dados desde 1975, usando um método de filtragem estatística que elimina leituras isoladas de um mês.
- O banco examina se o rali do ouro ainda está intacto analisando a questão sob três ângulos distintos.
- Uma regressão dos preços do ouro em relação ao teste estatístico do banco para comportamento explosivo de preços sugere que tanto a extensão ascendente do rali quanto seu recuo recente foram mais contidos do que em episódios passados, com o ouro potencialmente encontrando um fundo em torno de US$ 3.900/onça em vez de cair para os US$ 3.700/onça implícitos pela regressão.
- O modelo de valor justo do Deutsche Bank, após ajustes para a demanda excepcional do setor oficial e para os efeitos das taxas de juros reais, ainda aponta para um valor justo próximo de US$ 4.700/onça até o final do ano.
- Com base nessa análise, o banco mantém sua previsão existente de US$ 4.600/onça para o ouro no quarto trimestre de 2026.
O Deutsche Bank reafirmou sua perspectiva otimista para o ouro, argumentando que o recuo recente do metal provavelmente se esgotou e que as estimativas de valor justo continuam acima da própria meta de preço do banco para o final do ano.
Em uma nota aos clientes, os analistas do banco afirmaram que o atual episódio de rápida valorização do ouro, que eles datam de agosto de 2024, permanece intacto e representa apenas o quinto episódio desse tipo identificado nos dados de mercado desde 1975. O banco chegou a essa contagem usando um método estatístico projetado para isolar episódios genuínos de comportamento explosivo de preços do ruído de curto prazo, filtrando leituras de um único mês e agrupando observações temporalmente vinculadas.
Esse enquadramento levou os analistas a fazerem uma pergunta direta: se o ouro permanece em uma fase explosiva, os preços não deveriam estar caindo mais do que caíram? O banco abordou a questão de três perspectivas diferentes. Primeiro, examinou o preço do ouro em relação aos mercados de commodities mais amplos, ajustando a razão para tendências de crescimento de longo prazo e indexando o resultado a um ponto de referência de 1986. Essa abordagem implica um nível de longo prazo muito mais baixo para o ouro, próximo de US$ 2.600/onça, um valor que contrasta fortemente com os preços spot atuais e destaca o quão esticadas as avaliações podem parecer quando o momentum do rali é removido.
Em segundo lugar, o banco realizou uma regressão dos preços do ouro contra seu próprio teste estatístico proprietário para comportamento explosivo de preços, conhecido como estatística BSADF. Essa análise indicou que tanto a extensão ascendente do rali quanto sua correção subsequente foram mais contidas neste episódio do que nos anteriores, levando os analistas a sugerirem que o ouro já pode ter encontrado um piso em torno de US$ 3.900/onça, em vez de estender sua queda em direção a um nível implícito pela regressão de US$ 3.700/onça.
Em terceiro lugar, e mais significativo para a perspectiva de curto prazo do banco, o ouro fechou a lacuna entre os preços spot e o modelo de valor justo do banco. Revertendo os ajustes feitos para as compras excepcionalmente fortes do setor oficial e os efeitos de convexidade das taxas de juros reais, os analistas ainda situam o valor justo em cerca de US$ 4.700/onça até o final do ano, um nível que fica acima da própria previsão do banco para o 4T de 2026 de US$ 4.600/onça. Com base nisso, o Deutsche Bank disse que está mantendo sua previsão atual para o preço do ouro, enquadrando a atual retração do metal como uma pausa dentro de um rali estrutural em andamento, em vez do início de uma correção mais profunda.
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