Choque na prata? Apesar do déficit, 2026 pode trazer oscilações bruscas em vez de novos recordes

Publicado: Apr 20, 2026 09:38
O mercado da prata continuará a ser um dos temas mais discutidos no setor das matérias-primas também em 2026. Embora a prata ainda se encaminhe para um défice de oferta, os analistas da Bloomberg Intelligence acreditam que isso, por si só, não é suficiente para empurrar os preços de volta aos máximos de janeiro.

17 de abril de 2026

O mercado de prata continuará a ser um dos temas mais discutidos no setor de commodities também em 2026. Embora a ainda se encaminhe para um déficit de oferta, os analistas da Bloomberg Intelligence acreditam que isso, por si só, não é suficiente para empurrar os preços de volta às máximas de janeiro. Em vez disso, na visão deles, o mercado está se configurando para ser definido menos por uma alta direta adicional do que por maior volatilidade, formação lenta de preços e uma fase lateral potencialmente prolongada.

O ponto de partida para essa avaliação é a observação de que a prata até agora não conseguiu sustentar seus ganhos acima de um nível de resistência inicial de US$ 80 por onça. Mais recentemente, o preço à vista estava em torno de US$ 79 por onça. Para um mercado que atingiu máximas acima de US$ 120 em janeiro, isso é uma indicação clara de que a alta já não é tão irrestrita como no início do ano.

Preço da prata entre déficit e fadiga pós-rally

A Bloomberg continua a descrever as perspectivas para a prata como relativamente moderadas. Presume-se que o preço da prata possa permanecer entre US$ 50 e US$ 100 por anos. Outra tentativa de alcançar os picos de janeiro acima de US$ 120 não está descartada, mas um ponto diferente está no centro da análise: preços muito altos alteram a estrutura de oferta e demanda do mercado.

É precisamente aí que os especialistas veem o ponto de virada decisivo. O que até agora sustentou o mercado como um déficit de oferta poderia, como resultado do movimento parabólico de preços, transformar-se em uma fase na qual o próprio preço elevado atenua a escassez. Em outras palavras: preços em alta desencadeiam reações de ajuste que podem ter um efeito moderador no médio prazo.

A Bloomberg Intelligence observa que a atual evolução dos preços da prata mostra paralelos com fases anteriores de forte excesso. O rally, que realmente ganhou impulso a partir de meados de 2025, terminou com um prêmio de 2,6 sobre a média móvel de 10 anos — um nível comparado ao último movimento parabólico em 2011. Na visão dos analistas, isso sugere que a prata não permanecerá automaticamente em um nível permanentemente elevado simplesmente porque o movimento de preços foi excepcionalmente forte em determinados momentos.

Bloomberg vê a prata principalmente em uma ampla faixa de negociação

Em 15 de abril, a prata estava em torno de US$ 79 e, segundo a Bloomberg, em uma zona onde o mercado poderia permanecer preso entre US$ 50 e US$ 100 por um período prolongado. Ele vê mais risco de um retorno aos níveis de avaliação médios de longo prazo do que a perspetiva de os preços se estabelecerem permanentemente acima dos 100 dólares. Cita a média de 10 anos, em torno dos 33 dólares, como o principal ponto de referência.

Isto não significa necessariamente que a prata tenha de recuar para esse nível no curto prazo. No entanto, mostra o quanto, na sua avaliação, o mercado se afastou das suas médias de longo prazo. Esta distância é importante para o preço da prata porque movimentos acentuadamente acelerados nos mercados de matérias-primas são frequentemente seguidos por uma fase de normalização. A Bloomberg deduz daqui a possibilidade de que uma reversão da tendência atual possa levar a prata de volta para os 50 dólares por onça.

Há ainda outro fator: a volatilidade excecionalmente elevada. Segundo os especialistas, a volatilidade de 180 dias da prata é mais de cinco vezes superior à do . Trata-se do nível mais elevado desde 1980, quando o metal atingiu o seu pico de então, pouco abaixo dos 50 dólares. Esse nível foi alcançado novamente em 2011, mas só foi ultrapassado em 2025. Só este contexto histórico já evidencia a tensão em que o mercado da prata opera atualmente.

O défice de prata persiste, mas perde clareza

É notável que a perspetiva mais cautelosa dos analistas da Bloomberg coincida com o mais recente Silver Survey, que atesta novamente um défice anual no mercado da prata. Espera-se o sexto défice consecutivo de oferta, desta vez no montante de 46,3 milhões de onças. Em termos fundamentais, isto mantém a prata numa situação de escassez de oferta, o que à primeira vista poderia sustentar uma força contínua.

Mas é precisamente aqui que o panorama do mercado se torna mais complexo. Paralelamente ao défice, espera-se que a procura industrial diminua 3%. A queda projetada é particularmente acentuada no setor fotovoltaico, onde se prevê que o consumo de prata em módulos solares caia 19%. Este é um ponto importante para a prata, uma vez que o setor solar tem sido considerado nos últimos anos como um pilar fundamental da procura.

A procura está, portanto, a deslocar-se de forma notória. Enquanto a indústria se mostra algo mais fraca, a procura de investimento ganha maior destaque. A Metals Focus, responsável pelo Silver Survey, assume que esta área em particular se tornará o motor mais importante do mercado da prata em 2026. Espera-se que a procura de investimento aumente 18%, liderada por 30 toneladas de entradas físicas em produtos negociados em bolsa com lastro em prata.

A prata continua a ser um mercado de contrastes

Isso resulta numa constelação incomum para o mercado da prata. Por um lado, há um déficit contínuo de oferta; por outro, uma indústria que já não cresce em toda parte com o mesmo ímpeto de antes. Ao mesmo tempo, a prata permanece fortemente dependente de fluxos de capital e mudanças de sentimento. É precisamente nessa combinação que a Bloomberg Intelligence situa sua avaliação de uma faixa de negociação mais prolongada.

O preço da prata deverá, portanto, refletir nos próximos meses uma tensão entre um déficit estrutural, alta volatilidade e impulsos de demanda em constante mudança. As máximas de janeiro permanecem na memória do mercado, mas, segundo essa leitura, o caminho de volta é muito menos direto do que a narrativa do déficit, por si só, sugeriria. Para a prata, isso significa atualmente, acima de tudo, uma coisa: o mercado continua apertado, nervoso e, ao mesmo tempo, suscetível a mudanças de direção.

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