26 de fevereiro de 2026
O preço do ouro recuperou recentemente para US$ 5.200 por onça, mas permanece visivelmente abaixo dos máximos históricos de janeiro, próximos a US$ 5.600. Nesta fase de consolidação, vozes no mercado questionam cada vez mais o momentum de longo prazo. No entanto, uma análise recente do setor de metais preciosos estabelece um marco histórico: em comparação com fases anteriores de alta, o atual mercado altista ainda é relativamente “jovem” – e o ouro e a prata poderiam, em princípio, ter mais potencial de valorização em 2026.
Em seu novo relatório sobre metais preciosos, uma analista de mercado da MKS PAMP comparou cinco mercados altistas do ouro nos últimos 50 anos. Sua conclusão: o ambiente atual parece mais uma fase de meio de ciclo, não de estágio final. O ciclo supostamente dura 39 meses; nesse período, o ouro valorizou-se mais de 200%, a prata cerca de 350%, enquanto o dólar americano desvalorizou 13%. A partir dessa combinação, a analista conclui que o desempenho até agora é impressionante, mas historicamente não precisa necessariamente marcar o “fim da linha”.
Preço do ouro em comparação histórica: perfil de “meio de ciclo” em vez de fase final
A analista defende a tese de que o desempenho atual se enquadra na categoria de “meio de ciclo”. Ela associa essa avaliação a um cenário hipotético: se o ouro espelhasse a duração e o desempenho médios dos ciclos passados, isso implicaria um preço-alvo de US$ 6.750 até outubro – coincidindo com as eleições interamericanas dos EUA. Essa afirmação é explicitamente apresentada como uma reflexão histórica, não uma previsão estrita; visa principalmente ilustrar quanto espaço de alta os ciclos anteriores ainda tinham em estágios comparáveis.
Como impulsionadores clássicos dos metais preciosos, o relatório continua a citar fatores conhecidos: a perspectiva de queda dos juros, instabilidade geopolítica, incerteza econômica e um dólar mais fraco. Ao mesmo tempo, a analista ressalta que este ciclo difere dos mercados altistas anteriores em aspectos-chave – especialmente devido a mudanças estruturais no ambiente macroeconômico e político.
Mudança estrutural como driver adicional: “proteção sistêmica” em vez de correlação com taxas reais
De acordo com a analista, o atual contexto macro é moldado por várias tendências abrangentes. Estas incluem uma maior fragilidade fiscal do que em ciclos anteriores: níveis elevados de endividamento e défices persistentes estão a reforçar um ambiente que muitos participantes do mercado descrevem como "dominância fiscal" – ou seja, uma situação em que os constrangimentos fiscais sobrepõem-se cada vez mais à política monetária e financeira.
Ao mesmo tempo, ela aponta para uma polarização política significativamente mais acentuada nos EUA, uma crescente desigualdade de riqueza global e uma alteração do equilíbrio geopolítico de poder, no qual a China, como fator económico, é substancialmente maior do que os rivais anteriores dos EUA nas décadas de 1970 e 1980. Neste contexto, argumenta-se que o ouro se tem desvinculado cada vez mais da sua correlação tradicional com as taxas de juro reais e está a evoluir mais para uma espécie de "proteção contra o sistema" – ou seja, uma proteção de risco definida de forma mais ampla.
Esta perspetiva explica por que o ouro se mantém estável por vezes, apesar de sinais cambiantes de taxas de juro e inflação: nenhum fator único domina; em vez disso, é uma combinação de confiança, risco e temas estruturais.
Bancos centrais e retalho: Duas âncoras de procura – instituições ainda cautelosas
Para a procura de investimento, o relatório destaca dois grupos atualmente vistos como fornecedores de suporte. Primeiro, os bancos centrais, que, de acordo com a analista, servem como uma "âncora central". As suas compras líquidas sustentariam, de facto, um nível mais elevado de "preço mínimo". A necessidade de recuperação nos mercados emergentes é particularmente enfatizada: os 20 maiores bancos centrais nos mercados emergentes detêm supostamente um total combinado de cerca de 7.500 toneladas de ouro. Para atingir o nível de alocação média de ouro nos países desenvolvidos (a média do G10 é citada como referência), seriam necessárias cerca de 22.000 toneladas, de acordo com o relatório – uma magnitude que ela equipara a seis anos de produção primária anual.
Em segundo lugar, o relatório centra-se no mercado de investidores retalhistas, que se tornou mais diversificado nos últimos anos. Os exemplos citados incluem uma procura física robusta – visível, entre outras coisas, nas vendas a retalho de produtos de ouro – e um interesse crescente em tokens lastreados em ouro em plataformas de negociação digital. Um termo-chave aqui é a propriedade fracionada: denominações menores e opções de representação digital reduzem as barreiras à entrada e alargam o conjunto de compradores potenciais.
Ao mesmo tempo, a analista observa que o ouro continua subponderado entre os investidores institucionais. Essa contenção é interpretada como um amortecedor potencial: se a das carteiras institucionais mudar, podem surgir entradas adicionais de capital – sem necessariamente exigir novas narrativas.
Perspetiva: Dólar como o rastilho – prata possivelmente mais perto do fim do ciclo
Para o resto do ano, a analista vê o dólar norte-americano como um possível gatilho para o próximo movimento de alta. O declínio do dólar neste ciclo, de -13%, foi comparativamente moderado; a partir disso, ela conclui que, com novos catalisadores, ainda há espaço para uma maior fraqueza do dólar – o que normalmente apoia os metais preciosos.
Sobre o rácio ouro vs. prata, o relatório mantém-se matizado. Por um lado, a prata é descrita como tendo um desempenho forte; por outro, é enfatizado que o seu ritmo se assemelha mais ao ciclo de 2008–2011 (nesse período: +360% em 33 meses). A partir disso, a analista conclui que a prata – medida pela duração e velocidade – pode estar mais perto do fim da sua corrida cíclica do que o ouro. Consequentemente, o ouro poderia continuar a superar em termos relativos.
Como fatores que poderiam abrandar o rali do ouro, o relatório cita três potenciais obstáculos: um alívio sustentado dos riscos geopolíticos, a continuação da força do dólar norte-americano e uma mudança política nos EUA que altere materialmente a direção fiscal.
No geral, a análise pinta um quadro em que o preço do ouro, apesar da consolidação, não é considerado "totalmente esticado". O foco está menos nos impulsos de curto prazo e mais na questão de saber se a combinação de um ambiente macroestrutural, a procura dos bancos centrais, o maior acesso do retalho e o potencial catch-up institucional podem levar o ciclo para a frente.
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