RDC assina concessão de 30 anos da ferrovia Dilolo–Sakania para impulsionar o Corredor do Lobito
A República Democrática do Congo assinou um acordo de concessão de 30 anos com a Mota-Engil Africa para o caminho-de-ferro Dilolo–Sakania, marcando um passo importante no desenvolvimento da secção congolesa do Corredor do Lobito. O acordo foi assinado a 26 de agosto na presença do Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, e do Presidente angolano, João Lourenço. A linha de 1.004,5 km serve Kolwezi, Tenke e Lubumbashi antes de se ligar à rede ferroviária angolana que conduz ao porto atlântico do Lobito.
Segundo a Presidência da RDC, a reabilitação, modernização, extensão, operação e manutenção do caminho-de-ferro exigirão um investimento indicativo de aproximadamente 1 258 milhões de dólares. Na estrutura da concessão, a RDC deterá pelo menos 10 % do capital da sociedade do projeto e receberá uma royalty equivalente a 7,5 % da receita bruta anual. Os riscos financeiros e de tráfego serão assumidos pelo concessionário, sem garantia soberana, subsídio de operação ou garantia de receita mínima por parte do governo congolês.
Prevê-se que o caminho-de-ferro sirva o transporte de minerais, produtos agrícolas, insumos industriais, hidrocarbonetos e outras cargas, melhorando ao mesmo tempo a conectividade dos transportes entre a RDC e Angola. Os dois governos acordaram também trabalhar para operações ferroviárias mais fluidas entre Sakania, Lubumbashi, Kolwezi, Dilolo, Luau e Lobito, incluindo manutenção coordenada, maior transparência tarifária e melhorias no posto fronteiriço de Dilolo–Luau. O governo da RDC afirmou que o projeto visa reduzir os custos logísticos, apoiando simultaneamente a produção, transformação e criação de valor internas, em vez de funcionar apenas como via de exportação de matérias-primas.
A concessão é particularmente relevante para a indústria do cobre, uma vez que o caminho-de-ferro serve diretamente Kolwezi, Tenke e Lubumbashi, centros nevrálgicos do Cinturão do Cobre da RDC. A reabilitação da rota poderá proporcionar aos produtores de cobre e cobalto um corredor de exportação atlântico adicional e melhorar a flexibilidade logística face às atuais rotas a sul e a leste. Contudo, o impacto nos fluxos reais de cobre dependerá do ritmo da reabilitação, dos acréscimos de capacidade e das condições comerciais finais que venham a ser oferecidas às empresas mineiras quando o caminho-de-ferro renovado entrar em funcionamento.