As exportações de produtos siderúrgicos da Turquia se fortaleceram no primeiro semestre, embora um forte aumento das importações e a menor produção doméstica de aço bruto continuem pesando sobre o setor, segundo dados da Associação Turca de Produtores de Aço (TÇÜD). A produção turca de aço bruto caiu 3,5% na comparação anual, para 2,9 milhões de toneladas em junho. No acumulado de janeiro a junho, a produção recuou 1,7%, para 18,3 milhões de toneladas. Em contrapartida, o consumo aparente de produtos acabados se recuperou em junho, subindo 8,8% ano a ano, para 3,1 milhões de toneladas, embora o consumo do primeiro semestre tenha permanecido 2,6% menor, em 18,6 milhões de toneladas.
O desempenho exportador do país melhorou no mês. As exportações de produtos siderúrgicos subiram 21,5% na comparação anual, para 1,4 milhão de toneladas em junho, enquanto o valor exportado aumentou 13,5%, para US$ 931,3 milhões. Nos primeiros seis meses do ano, as exportações atingiram 7,7 milhões de toneladas, alta de 18,6% em relação ao ano anterior, com receita de exportação subindo 8,8%, para US$ 5,2 bilhões. As importações, no entanto, aceleraram em ritmo ainda maior em junho. A entrada de produtos siderúrgicos cresceu 52,4% ano a ano, para 1,8 milhão de toneladas, enquanto o valor importado aumentou 28,7%, para US$ 1,2 bilhão. De janeiro a junho, as importações totalizaram 9,3 milhões de toneladas, alta de 12,6% frente ao mesmo período do ano anterior, embora seu valor tenha recuado 0,3%, para US$ 6,5 bilhões, em meio a preços internacionais mais baixos. Com isso, a relação exportação/importação de aço da Turquia melhorou para 80,2% no primeiro semestre, ante 73,5% no ano anterior, mas caiu em relação aos 83,4% registrados no período de janeiro a abril, devido ao forte aumento das importações em junho.
O secretário-geral da TÇÜD, Veysel Yayan, afirmou que o rápido aumento das importações, especialmente as realizadas sob o regime de aperfeiçoamento ativo (IPR) da Turquia, tornou-se uma preocupação crescente para os produtores domésticos. Ele argumentou que as importações de produtos já fabricados no país, sobretudo da China, Rússia e outros fornecedores do Extremo Oriente, estão competindo cada vez mais com a produção local, em vez de apoiar o processamento voltado à exportação, contrariando o objetivo original do regime.
A associação também destacou os crescentes desequilíbrios comerciais com as principais regiões fornecedoras. No primeiro semestre, as importações do Extremo Oriente aumentaram 9,9%, para 4,7 milhões de toneladas, enquanto as exportações para a região caíram 29%, para apenas 59,2 mil toneladas. As importações da Rússia saltaram 74,5%, para 2,2 milhões de toneladas, ao passo que as exportações recuaram 73,6%, para 11,1 mil toneladas. Em contraste, os embarques para a União Europeia cresceram 38,6%, para 3,4 milhões de toneladas, sustentando o crescimento geral das exportações turcas de aço. A TÇÜD observou que a Comissão Europeia anunciou medidas adicionais de apoio a indústrias intensivas em energia no âmbito do Clean Industrial Deal, somando-se à assistência financeira já existente para o setor siderúrgico europeu. Diante desse cenário, a associação instou as autoridades turcas a reavaliarem o regime de aperfeiçoamento ativo e a reforçarem medidas para evitar o desvio de comércio para o mercado turco, após o endurecimento das medidas de proteção comercial nos Estados Unidos e na União Europeia.
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