A Zâmbia defende a criação de uma bolsa pan-africana de minerais e metais como parte de uma estratégia mais ampla para aumentar o valor que os países africanos obtêm dos seus recursos minerais e reforçar o controlo regional sobre o comércio de minerais.
A proposta visa criar uma plataforma continental que dê aos produtores africanos um papel mais relevante na comercialização de minerais, promovendo ao mesmo tempo indústrias a jusante, como refinação, fabrico e agregação de valor. De acordo com relatos da imprensa estrangeira, o Conselheiro Presidencial para Finanças e Investimento, Jito Kayumba, afirmou que a iniciativa reflete uma procura crescente para que os países africanos beneficiem mais diretamente dos seus recursos naturais e reduzam a dependência da exportação de minerais em bruto.
A bolsa proposta baseia-se na parceria existente de comércio de metais da Zâmbia com a Mercuria e já foi discutida com a República Democrática do Congo (RDC) e outros dois países africanos. As autoridades acreditam que mecanismos regionais de comércio mais sólidos poderão também apoiar a iniciativa da cadeia de valor de baterias para veículos elétricos entre a Zâmbia e a RDC, melhorando o acesso ao cobre e ao cobalto produzidos localmente, cujo fornecimento é feito principalmente por empresas mineiras privadas.
A iniciativa sublinha o esforço mais amplo de África para conquistar uma fatia maior da cadeia de valor global dos minerais críticos, à medida que a procura por cobre, cobalto e materiais para baterias continua a crescer. Se implementada, uma bolsa pan-africana poderá melhorar a descoberta de preços a nível regional, reforçar a posição negocial de África nos mercados internacionais de minerais, incentivar o investimento em refinação e fabrico, e apoiar o desenvolvimento de cadeias de abastecimento integradas. Embora a proposta ainda esteja numa fase inicial, sinaliza um impulso crescente por trás de políticas destinadas a expandir a agregação de valor mineral e a soberania sobre os recursos em todo o continente.




