21 de abril de 2026
Um dos desenvolvimentos mais marcantes este ano no mercado da prata é a crescente divergência entre os asiáticos e ocidentais. Os preços no atacado de grandes barras de prata negociadas por bancos em Hong Kong apresentavam um prémio de até oito dólares americanos por onça acima do preço de referência de Londres – embora a prata de Hong Kong historicamente tenha sido negociada com desconto em relação a Londres.
A diferença em relação aos preços em Xangai é ainda mais acentuada. O preço físico da prata na Bolsa de Ouro de Xangai desacoplou-se acentuadamente dos preços de referência ocidentais, sendo negociado com prémios de cerca de 12% a 13% acima da taxa à vista da e dos preços futuros da COMEX. No final de janeiro de 2026, a cotação de referência chinesa para a prata estava quase 17 dólares americanos por onça acima do preço de Londres.
O pano de fundo deste desenvolvimento é uma combinação de forte procura chinesa e opções de exportação restritas. Só nos dois primeiros meses de 2026, a China importou cerca de 790 toneladas de prata, incluindo 470 toneladas em fevereiro. Ao mesmo tempo, o governo chinês restringiu as exportações de prata a apenas 44 empresas aprovadas pelo Estado, limitando o mecanismo global de arbitragem entre mercados.
Numa nota de análise à luz dos desenvolvimentos recentes, o Goldman Sachs alertou que o novo sistema chinês de licenciamento de exportações poderia transformar o mercado global da prata de um sistema integrado em inventários regionais isolados que não podem ser equilibrados entre si.
Ação dos preços e elevada volatilidade do mercado em 2026
A ação dos preços em 2026 foi marcada por uma volatilidade extraordinária. O preço da prata atingiu um pico de quase 120 dólares americanos por onça no final de janeiro, antes de o metal branco entrar em correção em fevereiro e março. Se esta já seguiu plenamente o seu curso ou se o preço da prata sofrerá uma última venda massiva ficará claro nas próximas semanas.
É de notar que a liquidez física no mercado de prata de Londres permanece restrita. Segundo o Silver Institute, as tensões geopolíticas, a política comercial dos EUA e a incerteza sobre a independência do banco central americano, a Reserva Federal, são atualmente os principais fatores de suporte para o preço da prata.
Desenvolvimentos contrários: riscos para a procura de prata
No entanto, uma visão completa da situação atual no mercado da prata exige também um olhar sobre os contra-argumentos. O setor fotovoltaico, até agora um dos mais importantes impulsionadores da procura industrial de prata, está a reduzir sistematicamente o teor de prata por módulo solar. A Longi Green Energy, um dos maiores fabricantes mundiais de painéis solares, anunciou a produção em massa de células solares à base de cobre a partir do segundo trimestre de 2026. Se outros fabricantes seguirem este exemplo, torna-se evidente uma potencial ameaça de substituição da prata na cadeia de fornecimento solar.
Existem também alternativas na tecnologia de baterias: a joint venture entre a Stellantis e a startup norte-americana Factorial validou uma célula de bateria semi-sólida que não requer prata. Estes desenvolvimentos atenuam as perspetivas de uma dominância puramente baseada na prata na eletromobilidade.
A prata é e continua a ser um investimento interessante
Em conclusão, pode-se afirmar que o mercado da prata se encontra numa fase estruturalmente restrita, caracterizada por seis défices consecutivos de oferta, uma procura institucional e governamental crescente e uma fragmentação geográfica cada vez maior na formação de preços.
A possível produção em massa de baterias de estado sólido com elevada procura de prata a partir de 2027 poderá intensificar ainda mais esta dinâmica – mas, por enquanto, permanece um cenário futuro com incertezas tecnológicas e económicas significativas. Investidores e compradores industriais devem, portanto, ter em mente ambos os lados desta equação.
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