O gestor de fundos de hedge David Einhorn prevê uma mudança histórica nas reservas globais, à medida que os bancos centrais se afastam do dólar americano em direção ao ouro, citando a instabilidade da política comercial dos EUA e os déficits crescentes. Seu alerta surge depois de o ouro ter superado recentemente US$ 5.300 por onça antes de recuar, enquanto o dólar ainda mantém a maior parte das reservas. O ex-congressista Ron Paul também renovou sua crítica de décadas à moeda fiduciária, chamando a economia dos EUA de “fraude” desde o abandono do padrão-ouro em 1971.
Einhorn prevê mudança para reservas em ouro
David Einhorn disse à CNBC que vê os bancos centrais substituindo o dólar americano pelo ouro como principal ativo de reserva, impulsionados pela instabilidade da política comercial dos EUA e pelos déficits em expansão. Os preços do ouro dispararam para mais de US$ 5.300 por onça no mês passado antes de se estabilizarem perto de US$ 5.100, à medida que investidores buscaram segurança em meio às ameaças tarifárias do presidente Trump. Apesar de o dólar ainda representar a maior parte das reservas cambiais, Einhorn argumenta que as políticas fiscal e monetária estão corroendo a confiança global nos ativos dos EUA.
Temores sobre o déficit e perspectiva de corte de juros
Einhorn comparou as atuais políticas fiscal e monetária dos EUA a vulnerabilidades estruturais, com o Escritório de Orçamento do Congresso projetando uma relação déficit/PIB de 6,7% até 2036. Ele acredita que o Federal Reserve fará mais cortes de juros do que o esperado atualmente, classificando isso como uma das melhores operações disponíveis. A posição de Einhorn reflete sua visão de que o ouro é uma proteção contra a má condução das políticas, e não apenas contra a inflação.
Ron Paul chama a economia de “fraude”
Em uma entrevista com Tucker Carlson por ocasião de seu 90º aniversário, Ron Paul declarou que o sistema econômico dos EUA é fraudulento desde o fim, em 1971, da conversibilidade do dólar em ouro, chamando isso de “primeira declaração de falência” do país. Ele alertou que a contínua emissão de moeda e os déficits criaram uma ordem frágil rumo ao colapso, ecoando previsões que fez em 2002 sobre expansão do crédito, alta do ouro e maior controle do governo. Sua crítica encontra eco entre eleitores desconfiados dos gastos federais e do intervencionismo, embora economistas tradicionais como Ben Bernanke e Paul Krugman tenham descartado a defesa do padrão-ouro como impraticável.
Visões conflitantes sobre ouro e moeda fiduciária
A oposição de longa data de Paul à moeda fiduciária e ao intervencionismo militar contrasta com a opinião econômica dominante. Bernanke argumentou, em 2012, que um padrão-ouro limitaria a capacidade de combater o desemprego, enquanto Krugman observou que os temores de inflação após a crise se mostraram infundados. Paul apresenta o possível colapso do sistema atual como tanto uma crise quanto uma oportunidade para os defensores de uma moeda sólida e de um governo limitado.
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