25 de março de 2026
A evolução atual do preço do ouro continua a causar frustração em muitos investidores. Apesar da incerteza contínua no Oriente Médio e da guerra envolvendo os EUA e Israel contra o Irã, ainda não conseguiu ganhar um impulso novo e duradouro com esses acontecimentos. Em vez disso, o mercado continua marcado pela pressão vendedora. Chama a atenção, porém, que os grandes bancos quase não revisaram suas expectativas de longo prazo. É precisamente aí que entra a mais recente atualização das previsões de commodities do BMO.
O banco canadense mantém sua visão construtiva sobre ouro e , mesmo vendo mais ventos contrários no curto prazo. Segundo a avaliação do BMO, os argumentos estruturais para os metais preciosos não se deterioraram. O recuo atual, portanto, é entendido menos como uma ruptura da tendência e mais como uma interrupção de um movimento maior e mais amplo de alta. Para o preço do ouro, isso significa, na visão do banco: o impulso altista está pausado por enquanto, mas não terminou.
Ao mesmo tempo, o BMO deixa claro que a situação atual no Oriente Médio não invalida a tese básica para metais e mineração; na verdade, ela a reforça ainda mais. O fator decisivo, porém, é quando o mercado desenvolver confiança suficiente em uma estabilização da situação para voltar a assumir mais risco. Até lá, tanto o ouro quanto a prata provavelmente continuarão sensíveis às mudanças de sentimento.
Preço do ouro segue sob pressão, mas o BMO ainda assim eleva previsões
As previsões revisadas do BMO mostram que o banco espera que os preços do ouro permaneçam em níveis elevados apesar da fraqueza recente. Para o terceiro trimestre, espera um preço médio do ouro de cerca de US$ 4.800 por onça. Isso está 7% acima da estimativa anterior. Para o quarto trimestre, o BMO projeta uma média de US$ 4.900 por onça, o que representa uma revisão para cima de 9%.
As expectativas para o ano completo de 2026 também foram elevadas. O BMO agora vê o preço do ouro em uma média anual de US$ 4.846 por onça, após tê-lo fixado anteriormente em US$ 4.550. A visão de longo prazo é ainda mais acentuada: para 2027, o banco espera um preço do ouro consistentemente acima de US$ 5.000 e uma média anual de US$ 5.125 por onça. Isso corresponde a um aumento de 26% em relação à previsão anterior.
Assim, o BMO deixa claro que classifica o atual fator adverso como temporário. Embora o preço do ouro esteja sofrendo no curto prazo com a mudança das condições econômicas, os vetores de longo prazo permanecem intactos, na visão dos analistas. Diversificação, desvalorização cambial e desdolarização são citadas como os principais fatores. Segundo a avaliação do banco, esses fatores continuam sendo os pilares de sustentação da perspectiva de longo prazo para o ouro.
BMO vê potencial na prata, mas também maior volatilidade
Além do preço do ouro, a prata também segue bem posicionada nas estimativas atualizadas do BMO, embora com cautela significativamente maior. Embora o banco também esteja elevando suas projeções de preço nesse caso, ele ressalta ao mesmo tempo que a prata provavelmente oscilará mais intensamente do que o ouro. Para o terceiro trimestre, o BMO espera um preço médio da prata de US$ 70,60 por onça. Isso representa um aumento de 28% em relação à estimativa anterior. Para o quarto trimestre, o banco espera uma média de US$ 68,10 por onça, o que é 31% acima do previsto anteriormente.
Para o ano completo de 2026, o BMO vê o preço da prata em média em US$ 74,50 por onça, 32% acima da projeção anterior. Ao mesmo tempo, o banco sugere que este ano pode marcar o pico. Para 2027, espera um preço médio de US$ 64,20 por onça. Embora isso também esteja 42% acima da estimativa anterior, sinaliza simultaneamente um nível inferior ao de 2026.
A razão para essa postura mais cautelosa está na diferente estrutura de mercado da prata. Enquanto o ouro é visto mais como um ativo monetário e de proteção estratégica, a prata depende mais da demanda industrial. É justamente aí que o BMO vê riscos. Segundo a avaliação do banco, a guerra no Oriente Médio tende a enfraquecer a atividade econômica global, o que pode pesar sobre a demanda industrial por prata. Ao mesmo tempo, o BMO espera que o mercado físico de prata volte a registrar superávit. Isso pode aliviar a pressão sobre as altas de preço que recentemente foram fortemente impulsionadas pela liquidez.
Fluxos do varejo e entradas em ETFs seguem decisivos para o ouro
No cenário de curto prazo, o BMO destaca particularmente o papel dos investidores privados. Segundo a avaliação do banco, pelo menos 60% das entradas em ETFs de ouro vêm de investidores de varejo. Isso dá à psicologia desse grupo de investidores uma influência significativa sobre o preço do ouro. O momentum e as mudanças de sentimento podem desempenhar um papel maior do que o habitual nos próximos meses, especialmente após o início do conflito com o Irã.
O BMO destaca que, historicamente, o ouro frequentemente teve um desempenho melhor nas primeiras semanas de grandes conflitos do que ocorreu desta vez. No entanto, a posição de partida hoje é diferente das fases anteriores. O preço do ouro já subiu acentuadamente nos últimos dois anos, apoiado por entradas significativas de novo capital, tanto de natureza especulativa quanto estratégica. Isso torna mais difícil uma repetição direta dos padrões antigos.
É precisamente por isso que o mercado continua vulnerável a decepções. Na visão do BMO, provavelmente levará algum tempo até que os vendedores atuais voltem a se tornar compradores. Um pré-requisito para isso pode ser um arrefecimento do conflito. Até lá, o preço do ouro permanece em um campo de tensão entre uma tese de longo prazo intacta e um sentimento de curto prazo oscilante.
O ouro continua sendo o ativo de metais preciosos preferido do BMO
Apesar da visão fundamentalmente positiva sobre ativos reais para 2026, é notável que o BMO faça uma clara diferenciação dentro do setor de metais preciosos. O banco continua vendo o ouro como o ativo preferido, enquanto os metais preciosos “menores” não são considerados substitutos equivalentes. Assim, espera que o desconto da prata em relação ao ouro se amplie ainda mais no ano atual.
Este é um ponto importante para a classificação. Para o BMO, o preço do ouro está no centro da tese de longo prazo para os metais preciosos. A prata continua fazendo parte dessa visão positiva, mas está mais estreitamente ligada à economia, à indústria e à volatilidade do mercado. O ouro, por outro lado, continua sendo visto principalmente por seu papel como ativo estratégico. É exatamente por isso que o BMO mantém uma previsão positiva para o ouro, apesar da decepção contínua no mercado.
A conclusão da avaliação atualizada é, portanto: no curto prazo, ouro e prata continuam vulneráveis à fraqueza, mas o banco ainda não vê o movimento maior como encerrado. Na visão do BMO, a base de longo prazo para o preço do ouro continua claramente viável, mesmo que o mercado ainda esteja à espera de um sinal que possa desencadear novas compras.
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