Terça-feira, 10/03/2026 | 16:22 GMT+8 por
- A prata sobe 161% em relação ao ano anterior e testa US$ 90 por onça nesta terça-feira, 10 de março, recuperando-se pela terceira sessão consecutiva.
- As previsões de preço para 2026 variam da média de US$ 81 do JP Morgan ao cenário otimista de US$ 309 do Bank of America.
- Elas são impulsionadas pela tese de que a escassez física está rompendo permanentemente o mecanismo de precificação em papel.
A prata vive um dos anos mais extraordinários da história moderna dos mercados. Com alta de 161% em relação ao ano anterior, o metal branco chegou brevemente ao recorde histórico de US$ 121,62 por onça em janeiro de 2026, antes de uma correção brutal impulsionada pelo aumento das margens da CME fazê-la despencar de volta para perto de US$ 70.
Agora, nesta terça-feira, 10 de março, ela testa US$ 90 por onça pela terceira sessão consecutiva de alta, e a pergunta que toda a comunidade de metais preciosos faz é simples: o mecanismo de precificação em papel finalmente quebrou ou estamos vendo um aperto extraordinário, mas no fim temporário?
Neste artigo, vou detalhar a análise técnica do gráfico da prata, examinar a situação de entrega na COMEX e reunir as previsões mais relevantes para o preço da prata no restante de 2026, vindas de Wall Street e de analistas independentes. Com base em mais de 15 anos de experiência como analista e investidor de varejo, eis o que estou acompanhando.
Siga-me no X para análises em tempo real do mercado de prata: @ChmielDk
Análise técnica da prata: a mesma consolidação, uma zona-chave de rompimento
A prata sobe pela terceira sessão seguida, recuperando-se das mínimas locais perto de US$ 80 e voltando a ganhar força com as tensões geopolíticas globais. Nesta terça-feira, 10 de março, ela testa US$ 90 por onça — a máxima da semana. No entanto, no momento em que escrevo estas palavras, recua ligeiramente da máxima intradiária, com a prata em alta de 2% e sendo negociada a US$ 88,80 por onça.
Do ponto de vista técnico, muito pouco mudou. O preço da prata permanece dentro do mesmo canal de consolidação em que está desde o início de fevereiro. O limite inferior dessa faixa fica perto de US$ 70 por onça — as mínimas de dezembro a fevereiro.
O limite superior é a zona de pico local entre US$ 90 e US$ 94, testada no início de março. No meio desse canal está o suporte local-chave em US$ 80, o que não é coincidência — ele coincide precisamente com as máximas históricas do fim de dezembro de 2025 e ainda é sustentado pela EMA de 50 dias, o que o torna um nível duplamente significativo.
O mercado está agora num ponto de decisão. Se a consolidação romper em alta, a prata terá um caminho claro até a zona da máxima histórica perto de US$ 120, sem resistência técnica relevante entre US$ 94 e esse nível.
Se romper em baixa, o alvo será a EMA de 200 dias perto de US$ 60, que, juntamente com as máximas de outubro de 2025 em torno de US$ 55, forma uma zona de suporte substancial que provavelmente atrairá compras significativas.
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Nível |
Tipo |
Notas |
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US$ 121,62 |
Máxima histórica (jan. de 2026) |
Prata +161% em relação ao ano anterior a partir deste pico |
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US$ 90-US$ 94 |
Banda superior de consolidação |
Zona de pico local, teste atual |
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US$ 88,80 |
Preço atual (10 de março) |
+2% na terça-feira, terceira sessão de alta |
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US$ 80 |
Suporte intermediário do canal |
EMA de 50 períodos + máximas históricas de dez. de 2025 |
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US$ 70 |
Banda inferior de consolidação |
Mínimas de dez.-fev. |
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US$ 60 |
Alvo de baixa |
EMA de 200 dias |
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US$ 55 |
Suporte principal de baixa |
Máximas de out. de 2025, zona estrutural-chave |
Por que a prata está subindo? Geopolítica e o aperto físico
O catalisador imediato para a recuperação de três sessões desta semana é a mesma força que dominou a narrativa da prata durante todo o ano: a tensão geopolítica. O conflito entre EUA e Irã e a situação no Estreito de Ormuz, que desencadearam o salto de fevereiro para US$ 96 e a queda subsequente abaixo de US$ 84, continuam sem solução, e cada escalada gera uma nova onda de demanda por ativos de refúgio nos metais preciosos. O ouro já subiu acima de US$ 5.400 — mais de 100% acima em relação ao ano anterior — e a prata, que historicamente amplifica a direção do ouro em ambos os sentidos, está acompanhando.
Mas a história estrutural mais profunda está nos cofres da COMEX. Em apenas sete dias de janeiro, 33,45 milhões de onças de prata foram retiradas fisicamente para entrega — cerca de 26% de todo o estoque registrado da COMEX desapareceu numa única semana. Até o fim de fevereiro, os estoques registrados de prata haviam caído para aproximadamente 86,1 milhões de onças, uma queda de 31% em relação aos níveis vistos apenas alguns meses antes.
O ciclo de entrega de março de 2026 foi descrito como um “teste de estresse” para todo o sistema global de precificação da prata, com a demanda por entrega representando mais de 60% do total do estoque registrado — deixando quase nenhuma margem para erro.
A resposta da CME — elevar as exigências de margem de 15% para 18% em meados de fevereiro — desencadeou a brutal queda de 10% em um único dia, tornando-a a terceira pior desvalorização da prata desde 2020. O aumento da margem funcionou para controlar a alavancagem no curto prazo, mas não consegue resolver a escassez física. Como observou a TradingKey, “esse sistema só não entrou em colapso por causa de uma suposição simples: ninguém pediria entrega de uma só vez. No início de 2026, essa suposição falhou”.
A Divisão entre Papel e Físico: Xangai vs. COMEX
Um dos desenvolvimentos técnicos mais significativos nos mercados de prata é a divergência entre os preços no Oriente e no Ocidente. Como destaca o analista Echo, a prata já está sendo negociada perto de US$ 87 em Xangai, enquanto o preço ocidental da COMEX fica para trás, uma diferença impulsionada pela demanda física rompendo o mercado de papel e pelas compras industriais incessantes de fabricantes chineses. Echo descreve a faixa acima de US$ 80 como território de “céu azul”, onde tecnicamente não há resistência relevante no gráfico ocidental.
Essa divisão entre Oriente e Ocidente não é nova — a análise anterior sobre a alta da prata em direção a US$ 91 observou que o ouro não acompanhava a prata naquele momento, sugerindo que o movimento era industrial, e não apenas motivado por busca de proteção. O papel duplo da prata como metal monetário e insumo industrial — essencial para painéis solares, infraestrutura de IA e eletrônicos — faz com que ela esteja sujeita a pressões de demanda que o ouro simplesmente não enfrenta. Os dados mais recentes do Silver Institute mostram déficits anuais de oferta entre 110 e 300 milhões de onças, um desequilíbrio estrutural que sustenta toda tese de preço de longo prazo.
O analista Bix Weir argumenta que essa drenagem de prata da COMEX sinaliza o fim do que ele chama de 180 anos de supressão de preços, implicando uma enorme reprecificação para cima à medida que a diferença entre papel e físico se fecha.
Bark apresenta números específicos para o problema da alavancagem, identificando uma relação papel/físico de 21:1 e prevendo movimentos parabólicos à medida que essa ilusão se desfaz.
Previsões para o preço da prata em 2026: o espectro completo
A faixa de projeções para a prata em 2026 é tão extraordinária quanto sua recente trajetória de preços. No extremo conservador, o JP Morgan prevê um preço médio de US$ 81 por onça, com base na oferta apertada e na forte demanda — o dobro da média da prata em 2025, mas bem abaixo dos níveis atuais de negociação. O analista mais cauteloso do banco, Marko Kolanovic, alertou que a prata pode voltar a cair para US$ 50 se o posicionamento especulativo for desfeito antes que os fundamentos acompanhem.
No extremo oposto do espectro institucional está Michael Widmer, do Bank of America, que mantém sua meta de US$ 135 a US$ 309 para 2026, com base na compressão da relação ouro-prata e nas restrições de oferta.
Esse número de US$ 309 implica que a prata triplique em relação aos níveis atuais em menos de um ano — algo extraordinário, mas baseado na mesma tese de escassez física que já foi parcialmente confirmada pelo pico de US$ 121 em janeiro.
O analista independente Jochen Staiger apresenta uma estrutura sequencial de metas: US$ 111, depois US$ 146 e, em seguida, US$ 185 dentro de 12 a 18 meses, citando mudanças permanentes nas quais a escassez física rompeu o mecanismo de precificação em papel e os mercados orientais passaram a controlar a formação de preços.
A disparada de janeiro até US$ 120, que o Citi havia previsto, demonstra que os cenários de alta não são puramente teóricos.
Perguntas frequentes, análise do preço da prata
Até onde a prata pode subir em 2026?
A faixa institucional vai da média de US$ 81 do JP Morgan ao cenário altista de US$ 309 do Bank of America. Analistas independentes projetam US$ 185 a US$ 260 com base em teses de escassez física e no controle oriental da formação de preços. Minha análise técnica mostra US$ 120 (reteste da máxima histórica) como o primeiro grande alvo se a prata romper acima de US$ 94, com US$ 136 como meta da extensão completa de Fibonacci.
Qual é o preço da prata hoje?
A prata está sendo negociada a US$ 88,80 por onça na terça-feira, 10 de março, com alta de 2% no dia e ampliando uma recuperação de três sessões a partir da mínima local de US$ 80. O preço está testando o limite superior do canal de consolidação entre US$ 90 e US$ 94. A prata subiu 161% em relação ao ano anterior e 18,4% no acumulado do ano, mas corrigiu aproximadamente 27% em relação ao seu máximo histórico de US$ 121,62 em janeiro.
Qual é o cenário de baixa para a prata em 2026?
Como mostrado no meu gráfico, uma quebra abaixo do limite inferior de consolidação em US$ 70 abre caminho para a MME de 200 dias, perto de US$ 60, que, junto com as máximas de outubro de 2025 em US$ 55, forma a principal zona de suporte. Kolanovic, do JP Morgan, alerta para uma possível queda brusca para US$ 50 se o posicionamento especulativo for desfeito antes que os fundamentos acompanhem.
Fonte: https://www.financemagnates.com/trending/how-high-can-silver-go-silver-price-predictions-target-300-in-2026/


