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Sumário
- Ordem não afeta planos para reiniciar produção, diz empresa
- Bank of America rebaixou ações da Sigma, causando queda de 15%
- Sigma ainda luta contra ex-co-CEO na justiça por direitos minerários
RIO DE JANEIRO, 15 de jan (Reuters) - O Ministério do Trabalho do Brasil interditou três pilhas de rejeitos na mina principal da Sigma Lithium em Minas Gerais, citando risco "grave e iminente" para trabalhadores e a comunidade local, de acordo com documentos vistos pela Reuters.
A decisão se soma aos esforços contínuos da Sigma para reiniciar a mina de lítio, a maior do Brasil, com capacidade anual de 270 mil toneladas de concentrado de lítio. Ela está inativa desde outubro, mostram os documentos.
As restrições não afetam a capacidade operacional da Sigma nem comprometem seu cronograma para retomar a produção, disse a empresa em comunicado. A mineradora negou quaisquer riscos de segurança, acrescentando que as pilhas contêm apenas solo, sem contaminantes.
As pilhas permanecem uma preocupação apesar da interdição, disse o ministério em nota, acrescentando que uma pilha de rejeitos poderia desmoronar e soterrar casas próximas ou atingir o Rio Piauí.
AÇÕES DESPENCAM APÓS REBAIXAMENTO
Em novembro, a empresa disse durante teleconferência de resultados que a mina retomaria a produção em duas a três semanas.
Na semana passada, com a mina ainda parada, o Bank of America rebaixou as ações da empresa, citando falta de clareza sobre quando a produção seria retomada. A avaliação fez as ações caírem 15% em um único dia.
Na terça-feira, a empresa listada em Toronto disse que estava avançando em seu plano para retomar a produção.
Fiscais do trabalho emitiram a decisão de interditar o acesso às pilhas em 5 de dezembro, e na terça-feira, rejeitaram o recurso da empresa para suspender a ordem.
Não está claro se a Sigma poderia produzir lítio na mina Grota do Cirilo, seu único ativo produtivo, sem usar as três pilhas proibidas, onde a mineradora armazena rejeitos após o processamento.
A Sigma informou aos fiscais que perder o acesso às pilhas causaria "impactos operacionais e econômicos significativos, além de comprometer a continuidade da atividade minerária", mostram os documentos.
LÍDER DO SETOR AGORA EM DIFICULDADES
Antes a maior empresa da incipiente indústria de lítio do Brasil, a Sigma enfrenta dificuldades desde 2023 com os preços mais baixos do lítio e os desafios na expansão de sua operação de mineração.
A empresa também se envolveu em disputas com o ex-co-CEO Calvyn Gardner, ex-marido da atual CEO Ana Cabral. Gardner está a empresa por direitos minerários e expressou preocupações sobre a segurança em Grota do Cirilo.
Para retomar o uso das pilhas de rejeitos proibidas, a Sigma teria que apresentar documentos que comprovem a correção dos problemas identificados pelos fiscais, de acordo com um documento do Ministério do Trabalho.
Um fiscal do trabalho que visitou o local da mina relatou em 12 de novembro uma "ruptura parcial" de uma das pilhas perto de uma escola na pequena cidade de Poço Dantas, que ele citou como evidência de problemas estruturais.
"A empresa teve ampla oportunidade para minimizar seus riscos", disse um fiscal do trabalho em um relatório de 6 de janeiro, rejeitando o argumento da Sigma de que as pilhas são seguras.
A Sigma afirmou que as pilhas estão totalmente dentro dos parâmetros de segurança estabelecidos pelas autoridades, o que está demonstrando ao ministério.
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