Analistas veem a prata a US$ 90 e o ouro a US$ 5.000 por onça até o fim do ano

Publicado: Apr 3, 2026 16:39
O preço do ouro gerou um sinal técnico na semana passada, ao mesmo tempo que forneceu novo combustível para o debate sobre sua direção futura.

1 de abril de 2026

O emitiu um sinal técnico na semana passada, ao mesmo tempo que reacendeu o debate sobre a sua direção futura. Depois de o metal precioso encontrar suporte na sua média móvel de 200 dias, encerrou uma sequência de três semanas de perdas. Esta recuperação prosseguiu com compras adicionais no início da semana. Isso trouxe à tona a questão de saber se o desempenho mais fraco em março foi uma fase temporária, e não o início de uma mudança permanente de direção.

Para o Commerzbank, a resposta é clara: na visão dos analistas, a evolução do preço do ouro em março não se enquadra no quadro fundamental geral. Por isso, a instituição mantém uma perspetiva positiva para o preço do ouro e elevou recentemente as suas previsões para os metais preciosos. Assim, espera-se que o ouro encerre o ano corrente em cerca de US$ 5.000 por onça. Anteriormente, a estimativa era de US$ 4.900. Para o fim de 2027, o banco prevê uma nova alta para US$ 5.200 por onça.

Preço do ouro entre estabilização técnica e ventos contrários macroeconómicos

ZodiacA recuperação recente do preço do ouro é notável num contexto de mercado difícil. Nas últimas semanas, o metal precioso enfrentou vários fatores adversos. Entre eles estão a alta dos rendimentos dos títulos, o fortalecimento do dólar americano e a mudança nas expectativas para as taxas de juro. Taxas de juro mais elevadas tendem normalmente a pesar sobre o ouro, em particular, já que o metal em si não gera rendimento contínuo. Quando as taxas de juro do mercado de capitais sobem, aumenta a desvantagem do do ouro.

Além disso, segundo a avaliação do Commerzbank, as consequências da guerra no Irão provocaram novas tensões nos mercados de energia. As perturbações resultantes nas cadeias globais de abastecimento impulsionaram de forma visível os preços do petróleo. Preços mais altos da energia, por sua vez, elevam as expectativas de inflação. Foi precisamente isso que levou muitos participantes do mercado a assumir recentemente que a Reserva Federal dos EUA teria de manter uma postura neutra de política monetária, em vez de continuar a cortar rapidamente as taxas de juro.

Esta foi uma combinação desfavorável para o preço do ouro. Por um lado, o ouro é considerado uma reserva monetária de valor e um ativo de refúgio. Por outro, sofre quando o mercado espera taxas de juro mais altas ou elevadas por mais tempo devido ao aumento da inflação. Foi exatamente essa tensão que caracterizou o mercado nas últimas semanas e ajudou a explicar por que o ouro não beneficiou mais das compras clássicas de ativos de refúgio, apesar da situação geopolítica.

O Commerzbank espera que a queda dos juros reais seja um fator de impulso

Na perspetiva do Commerzbank, porém, este quadro deverá mudar ao longo do ano. O banco parte do princípio de que a guerra no Irão terminará antes do verão. Nesse cenário, os mercados teriam de reavaliar as suas expectativas para a política monetária. Os analistas esperam que a Reserva Federal dos EUA retome o ciclo de cortes de juros no fim deste ano e reduza a taxa diretora em um total de 75 pontos-base até meados do próximo ano.

Ao mesmo tempo, o banco espera que a inflação nos EUA permaneça acima da meta oficial no próximo ano. Para os analistas, isso leva a um ponto central: se os juros nominais caírem enquanto a inflação continuar elevada, os juros reais ficarão sob pressão. Esse seria exatamente o tipo de ambiente que poderia sustentar o preço do ouro, já que o custo de oportunidade de manter ouro diminui numa perspetiva de longo prazo.

Isso também explica por que o Commerzbank mantém a sua posição positiva apesar do revés dos últimos dois meses. Na sua perspetiva, o fator decisivo não é apenas o movimento de preços no curto prazo, mas o enquadramento de política monetária e da economia real em que o ouro opera. Se o cenário de juros realmente mudar na direção esperada, a tendência de alta — que só foi travada recentemente — poderá voltar a afirmar-se com mais clareza.

Por que o ouro está a reagir de forma diferente desta vez como ativo de refúgio

Segundo a análise, o aspeto mais notável da atual fase de mercado é a natureza da crise. O ouro não perdeu o seu papel de ativo de refúgio, mas a reação do mercado desta vez é diferente da observada em períodos anteriores de tensão. Em crises dominadas por riscos económicos, os investidores costumam esperar uma política monetária expansionista e queda dos juros. Essas configurações foram observadas, por exemplo, durante a crise financeira ou a pandemia. Nessas fases, o ouro costuma beneficiar de forma particularmente forte.

No ambiente atual, em contrapartida, o choque inflacionista é mais proeminente. Quando os investidores esperam sobretudo pressão inflacionista e uma política monetária mais restritiva, o clássico reflexo de fuga em favor do ouro é mais fraco. Nesse contexto, o Commerzbank também observa que até o franco suíço, normalmente outro ativo clássico de refúgio, esteve recentemente entre as moedas mais fracas do universo G10. Para o preço do ouro, isso significa que a função de segurança permanece fundamentalmente intacta, mas está a ser ofuscada no curto prazo pelo debate sobre juros e inflação.

Além do ouro, o Commerzbank também mantém uma perspetiva positiva para a prata. O metal precioso também tem apresentado um desempenho cauteloso ultimamente, embora os dados fundamentais continuem a apontar para um mercado apertado, na avaliação do banco. A previsão aponta para a prata a US$ 90 por onça até ao fim do ano e a US$ 95 por onça até ao fim de 2027. Com isso, o banco sinaliza que espera um maior potencial de valorização não só para o preço do ouro, mas para os metais preciosos como um todo, com base nos dados subjacentes do mercado.

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