Em 16 de abril (quinta-feira), um documento mostrou que a Codelco e a mineradora global Anglo American planejam apresentar separadamente aos reguladores relatórios de estudos ambientais para a proposta mina de cobre compartilhada Andina–Los Bronces, no Chile, usando o que chamaram de um modelo inédito de dupla via para agilizar o processo de aprovação.
O documento mostrou que as duas empresas planejam apresentar, em dezembro, duas solicitações essencialmente idênticas para uma mina de cobre a ser operada conjuntamente por ambas as partes.
O Chile é atualmente o maior país produtor de cobre do mundo.
Em meio à expectativa de aperto na oferta global de cobre, esse modelo pode servir de referência para outras grandes mineradoras que buscam compartilhar infraestrutura e operações para aumentar a produção. O modelo também permitiria que a Codelco e a Anglo American avançassem mais rapidamente e reduzissem riscos.
A Codelco e a Anglo American finalizaram esse acordo de cooperação em setembro de 2025, planejando aumentar a produção anual de cobre em aproximadamente 120.000 t de 2030 a 2051, criando pelo menos US$ 5 bilhões em valor antes de impostos.
***Solicitações “espelho”***
Nas áreas em que as operações se sobrepõem, as duas empresas propuseram adotar medidas idênticas de proteção ambiental para cada mineradora.
Um documento de apresentação mostrou que elas consideraram juridicamente inviável apresentar uma única solicitação, já que a Constituição chilena exige que a Codelco mantenha a propriedade de suas concessões de mineração.
As duas empresas também consideraram apresentar três solicitações: uma de cada mineradora para estender a vida útil de suas respectivas minas e uma terceira de uma entidade conjunta responsável por operar o projeto compartilhado. Elas descartaram essa opção, pois exigiria que as empresas renunciassem às licenças ambientais existentes de suas minas a céu aberto para dar lugar à mina integrada.
Essa “estrutura de dupla via” também torna possível que as duas minas retomem operações independentes no futuro.
***Operações no local***
Os documentos detalharam o plano de criar um único sítio de mineração a partir das operações existentes. A mina Los Bronces, da Anglo American, é adjacente à mina Andina, da Codelco.
Os planos das duas empresas mostraram que a barreira rochosa entre elas também será minerada, formando uma única cava operacional, mantendo o projeto essencialmente dentro da área já ocupada pelas minas existentes.
Um documento mostrou que o minério extraído do local de mineração compartilhado será enviado alternadamente para as plantas de processamento de Los Bronces e Andina, enquanto o estéril será depositado nas respectivas pilhas de estéril de cada empresa.
Para operar as duas minas como um sistema integrado, ainda são necessárias modificações nas pilhas de estéril, instalações de rejeitos, tubulações e infraestrutura de apoio. As duas empresas afirmaram que a infraestrutura compartilhada pode evitar construções redundantes, reduzir o consumo de água doce e aliviar a pressão sobre o meio ambiente circundante.
***Riscos de uma mina "compartilhada"***
As duas empresas também identificaram riscos significativos, como a necessidade de coordenação estreita com os órgãos reguladores, o que poderia pressionar o já lento sistema de avaliação ambiental do Chile.
Elas enfatizaram que o projeto tem "um nível muito alto de atenção pública" e que existe o risco de ambientalistas e comunidades afetadas argumentarem que as duas avaliações obscurecem a escala dos impactos.
A mina de Los Bronces é acusada há anos de impactar a qualidade do ar, o uso da água e as geleiras na região dos altos Andes onde está localizada.
Embora a Codelco e a Anglo American acreditem que a abordagem de dupla via pode reduzir o risco de subestimação dos impactos, elas também reconheceram que isso poderia levar à duplicação de medidas de gestão de proteção ambiental.
(Wenhua Consolidado)



